A dança e a Escola
[...] a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola: com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres [...]. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/para o aluno com sua corporeidade por meio dessa atividade (PEREIRA et al 2001, p. 61) .
Ao abordarmos esse conteúdo nas aulas de Educação Física proporcionamos ao aluno a possibilidade de conhecer seu corpo e seus limites de forma lúdica, pois a dança tem um valor educacional que vai além do simples divertimento ou recreação e pode servir como ferramenta educacional para o desenvolvimento do indivíduo de uma forma global pois dançar mexe com emoções, imaginação, possibilitando o indivíduo desenvolver todos os seus sentidos.
A dança escolar não deve ser desenvolvida do ponto de vista tecnico pois isso poderia gerar disputa entre os alunos, mas de forma a estimular a criatividade desse aluno, haja visto que o movimento é uma forma de expressão e cada um deles se expressa de forma diferente. Deve servir para demarcar e incentivar a individualidade do ser humano afinal não há nada de errado em ser diferente.
Os movimentos a serem abordados devem ser os mais naturais possíveis a fim de não causar estranheza nesse aluno, nem dificultar sua prática. Devemos nos ater aos movimentos inerentes do ser humano, tais como: Correr, saltar, pular, girar,... com o objetivo de desenvolver a percepção de espaço, tamanho, forma, agrupamento e distribuição pois assim determinam os PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (1996)
As atividades devem estar voltadas para uma seqüência pedagógica que inicie do simples para o complexo, do concreto para o abstrato, do espontâneo para o específico, das atividades de menor duração para as de longa duração e de um ritmo inicialmente lento para os mais acelerados. Atividades que envolvam emoções, sentimentos e identificação de sua imagem pessoal, atividades que exijam do aluno agir, reagir e interagir com seu grupo e com outros grupos. As aulas devem evoluir ricas em variação de estímulos, tanto da parte musical como da corporal. Da corporal, exploração do conhecimento do corpo e suas capacidades e da musical, noções básicas de diferentes ritmos e estilos de dança (dança de roda, clássicas, modernas, folclóricas, danças de salão). Um fator muito importante a ser relevado é o de não adotar uma didática massificante e mecânica (cópia de movimentos) para o ensino da dança na escola, pois estaria tirando a individualidade da criança e bloqueando sua criatividade e espontaneidade.
Para Nanni (2003) a dança pode ser usada para desenvolver a percepção espaço-tempo para proporcionar a criança experiencias corporais estimuladoras da cognição e afetividade. Essas experiencias influenciarão a autovisão e a percepção corporal desenvolvidas através dessas experiências motoras por toda a vida desse indivíduo.
Nanni (2003, p. 25), apresenta em seu quadro as variações de tempo-espaço e eixos de movimentos que ajudam na elaboração de atividades, podendo correlacioná-las á dança.
1. Variação no tempo-espaço, objeto e eixos do movimento - Habilidades motoras
Tempo
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Espaço
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Objeto
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Noções de Movimento
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Rápido
lento
acelerado desacelerado |
direção: frente, atrás, lado, subindo e descendo.
níveis: alto, médio e baixo. planos: sagital, frontal e horizontal.
extensões:pequenas e grandes.
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corda
jornal bola arco lençol instrumentos musicais sucatas, e outros. |
Vivenciar movimentos das articulações da cabeça, cintura escapular, cintura pélvica, cotovelo e outras formas
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A dança na escola quando aplicada com metodologia adequada e, principalmente com consciência pedagógica, possibilita ao educando uma formação corporal global, ampliando suas capacidades de interação social e afetiva, desenvolvendo as capacidades motoras e cognitivas. Quando realizada de forma lúdica e não competitiva, a dança escolar passa a ser agente de formação e transformação, possibilitando oportunidades de humanização e integração entre todos os alunos, aumentando assim a auto-estima colocando em prática o sentido de uma educação voltada para a inclusão. Os professores são responsáveis por programar ou, melhor, saber “criar” um ensino que possibilite aos seus alunos para o envolvimento, a motivação, o entusiasmo, a curiosidade, o sentido de humor e o espírito crítico. As artes, assim como a dança proporcionam essa possibilidade. A influência do professor no fenômeno da aprendizagem é enorme e deve ser construída a partir da empatia e da qualidade afetiva.
Assim a dança, entendida como a arte de expressão em movimento, destaca na educação a ótica da sensibilidade, da criatividade e da expressividade, como uma nova direção que se quer dar para a razão, a ética, a cultura, e a estética – pelo saber através do sentir, da intuição, e com o objetivo de uma formação integral do aluno. Uma educação na sensibilidade, vivência no sentir o outro e na própria sensação de si mesmo.
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