LUNDU MARAJOARA
O “Lundu” é
uma dança de origem africana trazida para o Brasil pelos escravos. A
sensualidade dos movimentos já levou a Corte e o Vaticano a proibirem a dança
no século passado. No Brasil, o “Lundu”, assim como o “Maxixe” (a dança
excomungada pelo Papa), foi proibido em todo o Brasil por causa das deturpações
sofridas em nosso país. Mas, mesmo às escondidas o “Lundu” foi ressurgindo,
mais comportado, principalmente em três Estados brasileiros: São Paulo, Minas
Gerais e na Ilha do Marajó, no Pará.
DANÇA DO SÍRIA
A mais famosa dança folclórica do município de cameta é uma
das manifestações coreográficas mais belas do Para. Do ponto de vista musical é
uma variante do batuque africano, com alterações sofridas através dos tempos,
que a enriqueceram de maneira extraordinária.
Contam os estudiosos que os negros escravos iam para o
trabalho na lavoura quase sem alimentos algum. Só tinham descanso no final da
tarde, quando podiam caçar e pescar. Como a escuridão dificultava a caça na
floresta, os negros iam para as praias tentar capturar alguns peixes. A quantidade
de peixe, entretanto, não era suficiente para satisfazer a fome de todos.
Certa tarde, entretanto, como se fora um verdadeiro milagre,
surgiram na praia centenas de siris que se deixavam pescar com a maior
facilidade, saciando a fome dos escravos. Como esse fato passou a se repetir
todas as tardes, os negros tiveram a ideia de criar uma dança em homenagem ao
fato extraordinário. Já que chamavam de cafezá para plantação de café, arrozá
para plantação de arroz, canaviá para plantação de cana, passaram a chamar de síria,
para o local onde todas as tardes encontravam os siris com que preparavam sem
alimento diário.
DANÇA HIP-HOP
Retirado de: http://www.infoescola.com/artes/hip-hop/
Para abordar o Hip Hop torna-se essencial resgatar, de forma
sucinta, a origem do funk, pois essa forma de música surgiu da música negra
americana, o “Rhythym and Blues”, rotulada como “race music” até cair no gosto
popular dos jovens brancos americanos. Houve a partir da década de trinta, uma
grande migração da população negra que vivia no sul do país, para os centros
urbanos do norte dos Estados Unidos e que necessitava, emergencialmente, de
trabalho. Neste período o Blues absorve instrumentos elétricos dando origem ao
Rhythm’d Blues, que conseqüentemente mistura-se com a música gospel
protestante, resultando no “Soul”, cuja tradução é “alma”. Na década de
sessenta o Soul passa a ser a música de protesto dos movimentos em favor dos
direitos civis dos negros, tornando-se a “black music” americana. Na luta por
uma real cidadania, eles começam a fazer uso da palavra “funky” (fedorento),
muito utilizada por seus agressores. Desta forma o Funky passa ser uma forma de
atitude e identidade negra no vestir, falar, dançar, enfim, viver.
Na década seguinte, anos setenta, a mídia no Brasil se apropria desse
estilo e passa a comercializa-lo, projetando o estilo “Black Power” com Gerson
King Combo. Uma espécie de James Brown à brasileira. O Rio de Janeiro, por
concentrar a maior mídia de massa da época, aglomera grandes equipes de som,
como as “Soul Grand” e “Furacão 2000”, com realização de grandes bailes na zona
sul e subúrbio da cidade. A imprensa batizou este movimento ao orgulho negro de
“Black Rio”, entrando a década de oitenta sacudindo clubes, discotecas e casas
noturnas das grandes capitais brasileiras.
Nos Estados Unidos, paralelamente, em Nova Iorque e Detroit, estava
acontecendo uma reação ao movimento Black Power. Começa a surgir um dos
primeiros elementos estéticos da cultura Hip Hop: o RAP (Rhythm And Poetry).
Com a criação e comércio desacelerado dos CDs (compact disc), a classe média
americana começa a se desfazer de seus toca-discos de vinil, então os jovens
desempregados os recolhem e os reciclam, produzindo novos sons com esses vinis,
criando o “stracting”, que é arranhar a agulha no disco de vinil no sentido
anti-horário, o “phasing”, alterando a rotação do disco, e o “needle rocking”,
a produção de eco entre duas picapes. Desta forma é lançada a base musical, ou
melhor, o “break beats”, do rap. Esses DJs (disc jockeys) produziam seus sons
nas ruas e becos, desta forma proporcionando o surgimento do movimento Hip Hop,
que passou a unir a break dance, o rap, o graffiti, e o estilo b-boy (b-girl)
com suas grifes esportivas.
O Hip Hop chega ao Brasil, vindo da Florida (EUA), pelo ritmo “Miami
Bass” de músicas com batidas rápidas e erotizadas, mas este ritmo aqui foi
batizado de “Funk”, uma retomada ao movimento anterior. Duas vertentes vão
surgir neste estilo que acaba de chegar às comunidades de baixa renda. Uma
atente a demanda da produção midiática, à cultura de massa,
liderada por um grupo de pessoas que visam o lucro com esta produção,
oferecendo a população uma forma de diversão e de passar o tempo. Enquanto que
a outra vertente, o Hip Hop, propõe uma ação de protesto político e social para
o exercício da cidadania. O termo Hip Hop tem na sua etmologia as danças da
década de setenta, em que se saltava (hop) e movimentava os quadris (hip). Mas
também há registros de que tenha sido criado por Afrika Bambaataa (Kevin
Donovan).
O Rap (Rhythm And Poetry) tem sua origem nos “Sound Systems” da Jamaica,
muito utilizados por lá na década de sessenta, uma espécie de carro de som onde
o “toaster” (como o MC atual) discursava sobre os problemas socioculturais e
políticos do seu povo. Em busca de trabalho, na década de setenta, esses
toasters migraram para os Estados Unidos, e lá contribuíram para o surgimento
do Rap. A linguagem do Rap possibilitou aparecer novos cantores, grupo musicais
e mestres de cerimônia, os MCs, importantíssimos nos bailes funks e nas
apresentações de Rap.
A Break Dance é a linguagem artística dentro do Hip Hop praticada pelos
b-boys e b-girls, os adoradores de grifes esportivas. Este estilo de dança
surgiu com a quebra da bolsa de valores dos Estados Unidos, em 1929, quando
acontece o desemprego em massa. Os artistas dos cabarés americanos foram para
as ruas fazerem seus números de música e dança, em busca de dinheiro. Daí surge
a “Street Dance” (Dança de Rua), porém com uma estética própria daquela época.
A break dance baseia-se na performance do dançarino, na sua capacidade de
travar e quebrar os movimentos leves e contínuos. Ela é uma estética específica
dentro da Dança de Rua (Street Dance) que possui característica de
enfrentamento, protesto e/ou performance em grupo, mas permitindo que em
determinado momento da apresentação alguém possa improvisar com a sua
habilidade em break dance.
Outra expressão artística marcante no movimento Hip Hop é o “Graffiti”,
que em parte tem a ver com a pichação, isto porque no surgimento do Hip Hop o
graffiti servia para demarcar becos, muros e trens nas grandes metrópoles. Com
a essência do movimento Hip Hop, nos anos oitenta, essas demarcações foram se
transformando em verdadeiros murais de obras de arte. Hoje há uma nítida
diferença entre o graffiti e a pichação, inclusive pela ilegalidade e
vandalismo do segundo. O movimento Hip Hop tem sido respeitado por uma grande
parcela da sociedade brasileira. Mérito alcançado pelos líderes conscientes
deste movimento no Brasil.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
HERSCHMANN, Micael, O Funk e o Hip-Hop invadem a cena. Rio de Janeiro: UFRJ,
2003.
VIANNA, Hermano, O mundo funk carioca, Rio de Janeiro: Zahar, 1988
DANÇA DO CARIMBÓ
A mais extraordinária manifestação de criatividade artística
do povo paraense foi criada pelos índios Tupinambá que, segundo os
historiadores, eram dotados de um senso artístico invulgar, chegando a ser
considerados, nas tribos, como verdadeiros semideuses.
Inicialmente, segundo tudo indica, a “Dança do Carimbó” era
apresentada num andamento monótono, como acontece com a grande maioria das
danças indigens, quando os escravos africanos tomaram contato com essa
manifestação artística dos Tupinambá começaram a aperfeiçoar a dança, iniciando
pelo andamento que, de monótono, passou a vibrar como uma espécie de variante
do batuque africano. Por isso contagiava até mesmo os colonizadores portugueses
que, pelo interesse de conseguir mão-de-obra para os mais diversos trabalhos,
não somente estimulavam essas manifestações, como também, excepcionalmente,
faziam questão de participar, acrescentando traços de expressão corporal
característica das danças portuguesas. Não é à toa que a “Dança do Carimbó”
apresenta, em certas passagens, alguns movimentos das danças folclóricas lusitanas,
como os dedos castanholando na marcação certa do ritmo agitado e absorvente.
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